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domingo, 7 de agosto de 2011

Como devem ser construídos muros de divisa do terreno?

Uma das etapas presentes em quase todas as obras residenciais e comerciais é o fechamento das divisas do lote, ou seja, a construção de muros, cercas ou outros elementos que definam o que fica dentro e o que está fora da propriedade.

A necessidade de elementos construídos para delimitar a área do lote tem vários motivos. A segurança muitas vezes é apontada como um dos principais. Por isso, muitas optam por erguer grandes muros que isolam totalmente o interior do exterior tanto fisicamente, quanto visualmente.

Essas divisões também podem servir apenas para inibir a entrada de pequenos animais, ou como uma simples demarcação do lote. Nesses casos, os grandes seriam um desperdício e diversos elementos podem ser utilizados, de pequenas muretas a cercas baixas e até cercas vivas.

Há ainda outra situação na qual o que se quer garantir é a privacidade e nem tanto a segurança, e, assim, ter algum isolamento visual basta. Nesse caso é necessária uma divisão com certa altura, mas novamente plantas ou outros elementos mais leves que os grandes muros podem ser utilizados.

Cuidados na hora da construção dos muros

Como qualquer outro elemento de um edifício, os muros precisam ser bem estruturados. Muitas vezes dá-se pouca importância para eles pelo fato de não suportarem cargas específicas.

Entretanto, mesmo na hora de se construir um muro simples, que não suporta cargas como um muro de arrimo, por exemplo, preste atenção para a forma de estruturá-lo. O ideal é que o mesmo calculista que projetou a estrutura da casa seja responsável pelo cálculo do muro e forneça um detalhe-padrão para a obra.

Os muros devem ter uma fundação, seja ela feita com brocas, apenas com uma viga baldrame ou algum tipo de alicerce. A base do muro precisa ser muito bem feita para que com o passar dos anos não ocorram os recalques diferenciais, ou seja, para que partes do muro não afundem mais do que outras, fazendo com que ele fique torto ou abaulado.

Além da base, o corpo dos muros demanda algum tipo de armação. Quanto mais altos forem os muros, mais sujeitos eles estarão às forças horizontais de ventos ou de cargas flutuantes. Dessa forma, é importante que haja algum tipo de estrutura que resista a essas cargas.

Essa estrutura pode ser feita na forma de pilares de concreto, onde o muro é ancorado, ou mesmo na forma de pilaretes e cintas utilizando os próprios buracos dos blocos. Nesse caso alguns dos buracos são preenchidos com concreto ou graute (material que tem fórmula semelhante à do concreto, caracterizado pela consistência fluida e alta resistência; é usado especialmente para o preenchimento de vazios e cavidades, sem deixar bolsões de ar), e barras de ferro são colocadas nesses espaços.

De quando em quando uma fileira de blocos do tipo canaleta é assentada e barras de ferro no sentido horizontal, com mais concreto ou graute, são colocados. Dessa forma o muro ficará bem estruturado, não deformará e cumprirá a sua função de isolar e de impedir que o interior do lote seja acessado por visitantes indesejados.

Materiais

A maior parte dos muros são construídos com blocos de concreto ou cerâmicos. Entretanto, é possível construir muros com tijolos de barro maciço, por exemplo. Este será um muro mais pesado, mais caro e que demandará mais tempo para ser construído, mas se a intenção é ter o visual do tijolinho a vista, pode ser uma boa opção. Senão, você pode construir um muro convencional e revesti-lo com os tijolinhos de barro.

A pedra é também um material bastante usado para a construção dos muros e foi durante séculos o principal material esse tipo de obra. É um material bastante pesado e, por conta disso, muitas vezes dispensa a construção de uma estrutura específica para garantir a estabilidade do muro, já que o próprio peso dos blocos de pedra já resiste às cargas horizontais.

Nesse caso, o correto cálculo das bases é muito importante, posto que a carga sobre o solo será bastante pesada. Esses muros podem ser constituídos de grandes blocos de pedra ou, assim como no caso dos tijolos, ser construídos com blocos de concreto e apenas revestidos de pedra. Nesse caso, inúmeros tipos de pedra podem ser usados para o revestimento -desde uma tradicional ardósia até o mais caro mármore.

As pedras filetadas, também chamadas de canjiquinha, ou o mosaico português são algumas das possibilidades de utilização das pedras como revestimento.

Os muros podem ainda ser construídos a partir de técnicas mais antigas e menos comuns atualmente, como a taipa, em que a terra socada é utilizada como material principal, ou o solo-cimento, na qual a terra é misturada ao cimento para formar um material mais resistente. Essas são técnicas que podem ser bastante interessantes, mas exigem profissionais que conheçam bem cada solução.

Ainda pensando nos materiais para revestimento, são infinitas as opções. Argamassas pintadas, texturas, revestimento cerâmico, pastilhas, azulejos, placas de ferro, alumínio, cobre, vidro, madeira.

Praticamente todos os materiais podem ser usados para o revestimento de muros. Normalmente o único fator a ser levado em conta é a resistência às intempéries.

Formato e dimensões

Muitas vezes presta-se pouca atenção aos muros na hora do projeto, o que resulta na construção de um muro sem graça, demasiado alto -e que acaba sendo um dos elementos mais vistos dos edifícios. Como resultado, temos cidades pouco interessantes, em que os pedestres caminham espremidos entre os carros e grandes sequências de muros altíssimos.

Antes de construir, pense: é mesmo necessária a construção de um muro? Ele realmente precisa ser alto? É possível usar grades ou outros elementos mais leves que cumpram a mesma função? Posso não fazer nada e deixar a frente do meu terreno simplesmente aberta?

Muitas vezes basta um muro baixo para cumprir a função desejada e o resultado será muito mais interessante para a sua casa e para a cidade. Outras vezes, propor formatos diferentes, muros curvos, ou com alturas que variam, também valorizam o seu imóvel. Outra técnica interessante é espaçar os blocos na medida em que se constrói o muro. Dessa forma menos material é utilizado e os buracos entre um bloco e outro garante visuais interessantes e um aspecto plástico diferente, sendo que a segurança permanece a mesma.

Outra possibilidade é não colocar o muro exatamente na divida do lote, mas recuá-lo, “doando” parte do seu terreno para a cidade. Muitas vezes, com essa simples atitude, conseguimos criar interessantes alargamentos para as calçadas ou ainda plantar uma árvore.

É um pensamento abnegado, raro no nosso país e muito frequente em vários outros, mas que torna a cidade muito mais bonita e agradável. Por fim, devemos lembrar que muitos especialistas em segurança defendem que casas sem muros altos são as mais seguras. Avalie com cuidado se os muros altos são realmente necessários, afinal, eles também garantem que nada do que acontece lá dentro seja visto do lado de fora.

Lidando com o existente

Muitas vezes compramos casas em que os muros já existem. Nesse caso é importante avaliar o estado em que eles se encontram e, na maioria das vezes, apenas uma revisão no acabamento é necessária.

Caso haja trincas ou o muro esteja torto, consulte um especialista para garantir a estabilidade da estrutura.

Por fim, muito cuidado ao apoiar uma nova construção nos muros existentes. Muito provavelmente eles não foram calculados para resistir a cargas maiores e possivelmente entrarão em colapso.

Fonte: uol.com.br

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